19 de Abril dia do Índio?


Índio ontem
Índio hoje
Índio amanhã?

Índio de noite
Índio de dia
Índio onde?

Índio com terra
Índio sem terra
Índio o quê?

Índio que outrora era dono
Índio que hoje tem dono
Índio que amanhã será dono?

Índio que era explorador
Índio explorado
Índio que explorará?

Índio com cultura
Índio sem cultura
Índio aculturado?

Índio com direito
Índio sem direito
Índio submisso?

Índio objeto
Índio sujeito
Índio com direito

Direito à ser índio
A ser índio ontem, hoje e amanhã
Direito à dias e noites

Direito às terras
Ás terras que eram donos
Sem serem  usurpados pelo sistema

Direito à cultura nata
"Objeto" de sua própria história
História... História... História...

Índio, índio, índio, onde está você?
Será que está no no sistema?
Ou será que está onde sempre deveria está?

Comemorá o dia do Índio, até podemos fazer, é fácil. Garantir seus direitos que historicamente vem sendo podados por um sistema pseudo-democrático que em nada se importa com os verdadeiros donos dessas terras, em discursos demagogos, que vemos todos os dias nos noticiários locais e nacionais, é que é o desafio maior no século XXI.

19 de Abril, dia do ÍNDIO?


 O ESPAÇO GEOGRÁFICO INDÍGENA: RECIPROCIDADE ENTRE O SER HUMANO E O MEIO

Com o mercantilismo e o capitalismo comercial e industrial, iniciou-se um processo de agressão e destruição da natureza nunca vistos no decorrer da história. Esse modo de produção, que implicou o aniquilamento de ecossistemas, provocou grandes desequilíbrios ecológicos, gerando mudanças climáticas, extinção de espécies animais e vegetais e uma profunda desarmonia entre o ser humano e a natureza.

Já a relação dos grupos indígenas com seu espaço em geral foi sempre tão harmoniosa que permitiu a eles conhecê-lo profundamente. Isso lhes forneceu, ao longo de milênios, os conhecimentos necessários para a preservação não só das plantas e animais de que se alimentam como também dos elos da cadeia de um ecossistema, conseguindo assim manter seu equilíbrio e sua integridade.

Alguns estudos realizados sobre os Caiapó, tribo do sul do Pará pertencente ao tronco lingüístico Jê, e os Kuikuru, do alto Xingu, mostram o conhecimento que possuem, por exemplo, do uso do solo e do clima. Eles cultivam a terra sem prejuízo do ecossistema, exatamente o contrario do que fazem os brancos.

No modo de vida das diversas culturas indígenas, não ocorre degradação do meio ambiente de forma irreversível, a exemplo do que ocorre nas sociedades industrializadas. Como poderíamos explicar tal fato?

Pelo menos três razões contribuem para esclarecer a questão: a ausência da noção de propriedade privada da terra, o conhecimento da diversidade biológica e ecológica, e a concepção de natureza como fonte de vida.

AUSÊNCIA DA NOÇÃO DE PROPRIEDADE PRIVADA DA TERRA
A “posse” de um determinado território é considerada válida pelos indígenas a partir do uso que dele fazem, sem perder de vista a dimensão coletiva dessa utilização, ou seja, a terra é considerada um bem coletivo, pertencente a toda a comunidade, sem necessidade de demarcação de fronteiras ou limites rígidos. Em última análise, os diversos grupos indígenas fazem uma apropriação simbólica da terra, o que faz com que a posse não seja meramente material, orientada por objetivos ou interesses tão-somente pragmáticos ou técnicos, como considerada pela sociedade nacional pautada em valores ocidentais.

O CONHECIMENTO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA E ECOLÓGICA  
O conhecimento da diversidade biológica ou biodiversidade (variedade de espécies da fauna e da flora) e da diversidade ecológica (variedade de ecossistemas) resulta de séculos de uma histórias de convivência harmoniosa desenvolvida entre os indígenas e o meio físico circundante.

Subjacente a seus métodos de agricultura, caça e coleta, além das práticas de cura, encontra-se a noção implícita da preservação da natureza enquanto provedora das necessidades de sobrevida da coletividade.

Essas sociedades podem contribuir para a ampliação e manutenção da diversidade de espécies animais e vegetais, estendendo a atual discussão acerca da biodiversidade para a da sociodiversidade.

Hoje a medicina volta-se aos conhecimentos dos indígenas sobre as propriedades preventivas e curativas de múltiplas espécies vegetais e derivados animais. Trata-se de um patrimônio de inestimável valor, o que torna a preservação da integridade física e cultural dos indígenas uma necessidade, muito ao contrário da atitude que se teve para com eles ao longo da história.

A CONCEPÇÃO DE NATUREZA COMO FONTE DE VIDA
Antes de mais nada, cabe esclarecer que as relações entre as sociedades indígenas e a natureza não se pautam exclusivamente pelo conhecimento da biodiversidade ou por técnicas de manejo florestal. Tão importante quanto isso é o envolvimento que os indígenas tem com o meio ambiente, tornando-o parte integrante de suas vidas e de sua dinâmica social. Nas relações homem-meio que estabelecem, prevalece a reciprocidade, na qual se descarta a possibilidade de o primeiro dominar o segundo, como se dá nas relações baseadas na ótica “civilizada”.

Na dinâmica social desses grupos, o objetivo do uso da terra é obter do meio apenas os recursos necessários para sua subsistência (produção de valor de uso), sem visar a geração de excedentes de produção para serem comercializados (produção de valor de troca). Em sua relação com o território que habitam, a natureza constitui fonte de vida, e não fonte de lucro. Eles criam, assim, espaços geográficos pelo fato de serem presença humana no meio natural e nele interferirem, muito embora num grau muito menor do que as sociedades portadoras de uma dinâmica social mercantil (colonização portuguesa) ou industrial (sociedade brasileira atual). Esses espaços geográficos, na medida em que se constituem em guardadores da história da evolução dos grupos que os criaram e mantêm com ele laços afetivos, são, portanto portadores da identidade destes.


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