Educadores criticam proposta de Mercadante de não mais fazer duas edições do ENEM


Educadores criticaram ontem a mudança de direção do Ministério da Educação sobre o número de edições anuais do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). Até o ano passado, o ex-ministro Fernando Haddad e a presidente Dilma Rousseff defendiam a aplicação de pelo menos duas provas por ano. Agora, porém, o ministro Aloizio Mercadante diz ser contra mais de uma edição anual. Em entrevista ao GLOBO, ele disse que o Enem custa caro e que o dinheiro do MEC poderia ser mais bem empregado em outras ações educacionais.
A maioria dos educadores ouvidos pelo GLOBO se mostrou favorável à realização da prova duas ou mais vezes por ano. Segundo o professor Márcio Branco, diretor do Colégio Pensi, a edição única contribui para aumentar a tensão dos alunos.
— A prova já centraliza a maior parte das instituições brasileiras num único exame. Se o aluno passa por algum problema, acaba perdendo a preparação de um ano inteiro. Da mesma forma, as escolas não conseguem traçar um projeto de médio e longo prazo para os alunos — disse Branco.
Para a diretora do Colégio Teresiano, Glória Fátima Nascimento, a insegurança em relação às tomadas de decisão do MEC é o que mais atrapalha as instituições de ensino.
— Uma prova única para todo o Brasil já é muito complicado. Com uma só edição complica mais ainda. São milhões de estudantes tentando entrar nas universidades federais. Duas provas por ano, pelo menos, já aumentariam as chances — afirmou Glória.
A diretora-executiva do Programa Todos Pela Educação, Priscila Cruz, também defendeu a aplicação de mais provas por ano. Ela argumenta haver muitas políticas e programas federais vinculados ao Enem, como ProUni e Sisu, que aumentam a importância da avaliação. Com mais oportunidades, Priscila acredita que o peso de toda a logística e da carga emocional sobre os candidatos seriam amenizados.
Ela também rebateu o argumento de Mercadante sobre os altos valores gastos na aplicação da prova — a última edição custou à União R$ 271 milhões. Para Priscila, é possível diminuir esse montante:
— O Enem é caro desse jeito porque o uso de tecnologia em sua logística é muito baixo. Num país em que as urnas eletrônicas se tornaram referência mundial, o uso dessas ferramentas deveria ser amplamente aplicado também num exame dessa proporção.
Roberto Salles, reitor da UFF, defende uma edição única, já que há ingresso nos dois semestres, mas critica o argumento da economia de verba:
— Economizar esse dinheiro é uma mixaria dentro da estratégia de melhorar a Educação como um todo.

Fonte: O globo
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