Os 110 anos de uma Revolução que abalou o mundo


Como Governador tive o privilégio de celebrar junto com o povo acreano o Centenário da Revolução Acreana. Foi assim em 1999, em relação ao centenário da 1a Insurreição Acreana deflagrada por José Carvalho e do Estado Independente do Acre presidido por Luis Galvez. Do mesmo modo fizemos no final de 2000 quando se completou um século da Expedição dos Poetas articulada por Rodrigo de Carvalho e, durante todo o ano de 2002, quando comemoramos a Grande Revolução comandada por Plácido de Castro que nos levou à vitória contra a dominação estrangeira e a ameaça do grande capital internacional. E, em 2003, concluímos essas comemorações com o centenário da assinatura do Tratado de Petrópolis, que encerrou o período de conflitos com a Bolívia e formalizou as terras acreanas como brasileiras, consolidando a vitória do povo acreano neste complexo período histórico.
Aliás, necessário refletir sobre o fato de que o 1º Ciclo da Borracha e os diversos episódios que caracterizaram nossa Revolução Acreana possuíram, na passagem do século XIX para o XX, uma dimensão tal que ainda não foi plenamente alcançada pela história da civilização ocidental.
Acredito que, mesmo com grandes autores e intelectuais brasileiros – tais como Euclides da Cunha, Artur Cesar Ferreira Reis, Leandro Tocantins, Samuel Benchimol, entre outros – e estrangeiros – como Alfonso Domingo, Jeffrey D. Needell, Warren Dean e, mais recentemente, Joe Jackson (com o excelente livro que trata do roubo das sementes de nossas seringueiras, que li a pouco) – se debruçando sobre este tema, ainda não compreendemos completamente seu significado.

Não podemos perder de vista que, com a revolução industrial que transformou completamente a configuração da nossa civilização, nas últimas décadas do século XIX a floresta amazônica se tornou o centro da economia mundial. As grandes potencias do mundo – Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos, França e Holanda, principalmente – entraram numa ferrenha disputa pelo controle das fontes fornecedoras da mais estratégica matéria prima do período: a borracha. E, no centro deste cenário de interesses conflituosos e disputas de mercado que colocavam em xeque a geopolítica mundial, estava a floresta acreana com sua borracha de altíssima qualidade e uma perigosa indefinição territorial.

Assim, quando, naquela manhã do dia 06 de agosto de 1902, Plácido de Castro a frente de um pequeno grupo de seringueiros invadiu a Intendência Boliviana, estrategicamente situada em Xapuri, anunciando o início da Revolução, estava dando um ousado passo que iria abalar o mercado internacional e, por conseqüência, os poderosos interesses do grande capital.
Como acreano apaixonado por essa terra, neste momento em que exerço o cargo de Senador da República, ao qual fui generosamente conduzido pelo povo acreano, sinto imenso orgulho ao lembrar e comemorar mais uma passagem de um evento tão importante, não só para a história do Acre e do Brasil, como para a história do mundo. Afinal, somos um povo que venceu uma Revolução, empreendeu a longa luta autonomista, acaba de completar 50 anos como Estado autônomo da federação brasileira, deu um excepcional exemplo de defesa da Amazônia com a luta de nossos povos da floresta liderados por Chico Mendes e nos últimos dez anos vem avançando e alcançando um novo patamar de desenvolvimento sustentável que mantém o Acre como importante paradigma frente aos desafios de nosso tempo.    
Jorge Viana  
Senador PT-AC
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