Em pleno debate da parada gay que tomou conta de Rio Branco, jornalista diz: Meu filho é gay. E daí?


Chega!

Chega de tantos faniquitos, de tanta homofobia, de tanta discriminação, de tantos discursos moralistas!
Desconheço uma família que não tenha pelo menos um integrante que não seja homossexual. Negar isso é negar o próprio sangue.
Tratam a homossexualidade como se fosse uma doença contagiosa ou ainda como se fosse uma opção.
Não é!
Homossexualidade se “trata” com amor e compreensão. Se “trata” com diálogo e afeto. Se “trata” com naturalidade.
Ninguém opta por ser discriminado, por ser diferente, por sentir atração pelo mesmo sexo quando o “normal” (entre aspas) é sentir atração física, estética e emocional pelo sexo oposto. Ninguém opta por ter tantos conflitos internos, por não se aceitar como é. Ninguém opta por se sentir um pecador, uma “aberração” da natureza.
Antes de uma pessoa se aceitar homossexual, ela vivencia tantos conflitos, tanta dor, que muitos preferiam nem ter nascido. Recomendo o filme “Rezando Por Bob”, baseado em fatos reais.
Muita gente só vê o lado safado, promíscuo ou libertino da homossexualidade. É bem verdade que muitos, sem o apoio da família, caem nessa armadilha e até se envolvem com drogas para poder encarar a sua realidade de forma entorpecida. É o submundo, o lado gueto escatológico da homossexualidade.
Mas a grande maioria não é assim. São pessoas inteligentes, que estudam, lêem, trabalham, são educadas, dedicadas, bons filhos, bons irmãos. Muitos até ficam no armário, uma vida inteira, sufocam sua própria natureza para não ofender a família. Conheço outros que se casam e até tem filhos para disfarçar a homossexualidade. Mas ela está ali, presente e atormentado esses seres que ficam tão amargurados, de mal com a vida, que é muito difícil a convivência.
Muitos que discriminam os homossexuais são os mesmos que abordam gays e prostitutas nas beiras das ruas para saciarem suas taras (a três, quatro ou mais pessoas) mas, como só fazem longe da esposa e entre quatro paredes (sem câmera fotográfica!), podem posar para a sociedade de homens (e héteros!) acima do bem e do mal.
A história está recheada de grandes líderes homossexuais e a  homossexualidade é bastante comum na natureza. Pesquisas descobriram que aproximadamente 450 tipos de mamíferos e aves têm hábitos homossexuais, em maior ou menor grau.
Portanto, ser ou não ser homossexual independe de escolha. É da natureza animal racional ou irracional.
Você deve estar se perguntando, caro leitor, e o filho dela?
O do título do artigo?
É gay ou não é gay?
Vou matar sua curiosidade.
Sim. Meu filho é gay!
Toda mãe sabe. Nós sentimos. Muitas podem até não admitir, mas que sabem, sabem! No meu caso, isso é bem conversado e resolvido, sem frescuras ou dramas.
Eu não optei por ter um filho gay. Isso não se escolhe. Mas amo meu filho e tenho muito orgulho dele!
Ele é um ser humano de ouro!
Ai de você se olhar com a cara feia para a minha cria!
Estarei ao lado dele orientando, apoiando e defendendo seus direitos até o último dia da minha vida!
Você não tem noção do que uma Mãe (com M maiúsculo), democrática, amiga, parceira e cúmplice é capaz de fazer por um filho (gay ou não)!
Eliane Sinhasique é jornalista e apresenta de segunda a sexta-feira pela Gazeta FM 93,3, o programa Toque e Retoque
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