Um pouco da Evolução dos Mapas


OS MAPAS
À medida que as viagens marítimas aconteciam, os mapas europeus registravam novas terras, ilhas e mares, recortavam acidentes ao longo dos litorais, redesenhavam continentes, incorporavam nomes exóticos, recalculavam distâncias, acrescentavam lagoas, cabos, penínsulas, montes e rios, desvendando para a Europa aquela parte oculta do globo. Os mapas medievais destinavam-se às bibliotecas da nobreza e do clero. Eram mapas teológicos, não tinham qualquer compromisso com a representação real do espaço, não servindo para quem desejava orientar-se para viajar por oceanos e buscar terras novas.
No século II, o estudioso grego Ptolomeu escreveu, em oito volumes, uma obra chadada Geografia. Nela, entre outras coisas, Ptolomeu falava de técnicas de construção de globos e mapa e de métodos de observação dos astros. Sua Geografia trazia ainda uma lista de oito mil localidades (fornecendo, inclusive latitude e longitude), além de um mapa do mundo conhecido pelos europeus na época e mais 25 mapas em detalhe.
O mapa de Petolomeu, feito no século XV por Johannes Schnitzer, em l482, mostrava o mundo conhecido pelos europeus no século II, era formado pela Europa, Norte da África e parte da Ásia. Nele, não parecem a América, as regiões polares, grande parte da África, a Austrália, etc.
Mapas diferentes daqueles de Ptolomeu são os "T em O", ou simplesmente "TO" (recebem essa denominação por parecerem com um "T" dentro de um "O".
São mapas da Idade Média (período entre os séculos V e XV, aproximadamente) que revelam grande influência religiosa. Eles representam os textos, as histórias da Bíblia, deixando de lado a preocupação com a localização precisa dos lugares, das rotas de comércio, etc.
Nos séculos XV e XVI ocorreram as chamadas Grandes Navegações. Essas expedições, movidas por interesses políticos e econômicos, ampliaram o mundo então conheido pelos europeus. Assim a confecção de novos mapas cada vez mais completos e precisos tornou-se necessária.
Planisférios do final do século XVI, mostram novas terras e mares.
Do século XVI até nossos dias, a cartografia continuou a se transformar, com o desenvolvimento de novos aparelhos para a localização exata dos lugares, de novas técnicas de medição, com a criação de novos métodos para a representação da superfície esférica da Terra numa folha de papel, com o usode fotografias aéreas e imagens de satélite, com o auxílio da computação, etc.
Ao longo da história, matemáticos e cartógrafos vêm criando diversas maneiras, ou melhor, métodos de construção dos mapas, chamados projeções cartográficas. Na verdade, esses modos de construção envolvem complexos cálculos matemáticos.
Cada projeção cartográfica tem como resultado um mapa com características próprias, ou seja, com determindadas deformações (conhecidas e controladas matematicamente) e também certas vantagens práticas.
As superfícies terrestres, consideradas pouco importantes, eram deixadas em branco ou decoradas com bandeiras, brasões, castelos ou retratos de reis.A cartografia moderna começou no século XV, quando o uso de vários instrumentos de navegação, como astrolábio, a bússola, a balestilha e o quadrante, melhoraram a orientação em alto mar. Toda vez que uma viagem acontecia, os mapas incorporavam as novas descobertas. Os mais precisos faziam o sucesso de novas viagens. Os reis da época consideravam alguns tão importantes, que os tratavam como segredo de Estado. A partir de 1500, começaram a aparecer na Europa os primeiros mapas retratando as terras novas que os navegadores europeus acabavam de encontrar pelo mundo. Esses primeiros mapas foram muito irregulares – alguns eram bem aproximados da realidade, outros não passaram de tentativas grosseiras.
Os mapas italianos eram considerados os melhores durante o século XV e metade do século XVI, graças aos seus cartógrafos que eram ao mesmo tempo artistas e cientistas, e ao grande poder econômico e cultural que a Itália desfrutava nesta época. Os primeiros foram feitos no estilo portulano, desenhados sobre rosas-dos-ventos e cobertos pelas linhas de rumo a partir delas. Com o passar do tempo, ficaram comuns os mapas com projeções também. Apesar dos progressos realizados pela cartografia, os mapas náuticos ainda apresentavam, no final do século XVI, uma grande dificuldade para os navegantes: as linhas de rumo, isto é, as que partem das subdivisões da rosa-dos-ventos. Eram retas quando desenhadas no papel, mas, quando aplicadas a rotas reais, na esfericidade da Terra, ficavam destorcidas.
A partir do século XIII, quando o comércio voltou a ter importância novamente na Europa, transformando o Mediterrâneo em um agitado mar comercial, houve a necessidade de criar um tipo de mapa que pudesse orientar os navegadores. Estes novos mapas, chamados Portulanos, criados pelos navegantes italianos, foram elaborados pelos próprios pilotos ou por cartógrafos que se baseavam nas informações fornecidas diretamente por eles. Os portulanos eram desenhados geralmente em peles de carneiro e preocupavam-se só com os litorais, que eram marcados com o máximo de detalhes e informações.
A divulgação desses primeiros mapas sobre a América foi possível graças à invenção da imprensa pelo alemão Gutemberg, na primeira metade do século XV. Nos primeiros anos de existência, a nova invenção não fez muito sucesso, por causa da grande quantidade de analfabetos na Europa e dos temores da Igreja, que precisou primeiro decidir se o livro impresso poderia ser considerado digno de freqüentar altares. Porém, as suas grandes qualidades como praticidade, baixo preço, rapidez de produção e facilidade de acesso, acabaram se impondo e logo surgiram várias casas impressoras na Europa. Muitas destas casas dedicaram-se a publicar mapas, devido à grande demanda. A maioria dos primeiros mapas sobre as novas terras foi de tamanho reduzido e acabamento ruim. Mas eles se tornaram tesouros da humanidade. Muitas destas casas dedicaram-se a publicar mapas, devido à grande demanda. A maioria dos primeiros mapas sobre as novas terras foi de tamanho reduzido e acabamento ruim. Mas eles se tornaram tesouros da humanidade.
A solução foi encontrada pelo cientista e cartógrafo holandês Gerardus Mercator, que conseguiu inventar um sistema de projeções onde as relações entre paralelos e meridianos eram verdadeiras em qualquer lugar do mapa. Foi ele quem reduziu o Mar Mediterrâneo às suas reais proporções, além de incluir todos os mares e terras recém descobertos. A produção holandesa de mapas se firmou como uma das melhores, se não a melhor, do mundo durante a segunda metade do século XVI e especialmente durante o século XVII, o século de maior poderio holandês.

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