Educação escolar entre as grades

Hoje pela manhã recebi um email do meu amigo e ex aluno, Ricardo Bezerra de Arruda com o texto abaixo. Gostaria muito que todos prestassem bastante atenção ao lê-lo, pois nos leva a fazermos uma reflexão sobre a educação que os reeducandos estão tendo nos presídios em  todo o Brasil.

Em virtude do excelente trabalho realizado no presídio do nosso estado, venho colocar alguns pontos importantes sobre educação escolar atrás das grades. Sabemos que existi muitas dificuldades para que possamos adquirir conhecimentos   ora privados de liberdade. Porém vêm adaptações de procedimentos, abalos psicológicos e outros mais.

No entanto, temos que ter muita força de vontade para dizermos que é preciso errar para poder aprender. Com isso contamos com um grande apoio de educadores que trabalham no Sistema Penitenciário preocupados com a ressocialização de pessoas ora privadas de liberdade e de levar conhecimentos gerais a todos. Os profissionais da educação também passam por dificuldades para resgatar todos aqueles que querem voltar ao convívio social.

O Sistema Penitenciário (IAPEN), fala diversas vezes sobre ressocialização, contudo a realidade dos fatos são outros. Alguns reeducandos quando cumprem suas penas de forma legal, tendo acompanhamento escolar, pedagógico, assistentes sociais e psicólogos, estando  prontos para voltar à sociedade, infelizmente encontram  dificuldades, ou seja, as portas estão  totalmente fechadas para nós que, queremos uma oportunidade no  mercado de trabalho.

Com isso o individuo não tendo condições para sustentar seus familiares, acaba cometendo outros delitos sobre a própria sociedade. Mas isso ocorre não por culpa dos educadores que tiveram força de vontade de levar o conhecimento a todo cidadão em reclusão, e sim pelo sistema que questiona tanto sobre ressocialização e que na verdade não condiz com a realidade.

Podemos observar que somente a vara de execuções juntamente com o Centro de penas alternativas (CEPAL), oferecem cursos profissionalizante. Temos que concordar que, há mais de 500 reeducandos(as) nos regimes: condicional aberto e semi-aberto que já foram beneficiados com esses cursos e saíram capacitados para o mercado de trabalho. Todavia sabemos que a reincidência de crimes ainda é preocupante e não podemos deixar de falar que nossas autoridades estão fazendo a sua parte, porém, cabe a cada um a reinserção social. Mesmo sendo uns dos infratores da lei, jamais defenderei a criminalidade, precisamos de mais oportunidades oriundas de nossas autoridades políticas, com cursos profissionalizantes e que o Sistema Penitenciário (IAPEN) tenha mais convênio com os nossos empresários para que diminua com a criminalidade e que tenhamos uma vida digna diante de todos. É questão social.



REFLEXÃO

“O desprezo pela liberdade. Se desejássemos verdadeiramente a liberdade, jamais a trocaríamos pela posse de bens, que nos escravizam aos outros e nos submetem a vontade dos mais fortes e tiranos”




Ricardo Bezerra Arruda - Reeducando















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