A Indústria do Lixo

O Brasil produz bilhões de garrafas PET por ano. Só em 2009 foram 11 bilhões de unidades. Mais da metade desse total é jogado na natureza onde leva de 400 a 800 anos para se degradar, dependendo das condições do local.

Em 1996, o acúmulo desse material provocou um desastre de grandes proporções. A enchente que matou 13 pessoas em São Paulo, 9 delas ainda crianças foi provocado por centenas de milhares de garrafas Pet entaladas sob a ponte Ayrton Sena, o que provocou o represamento e o transbordamento de uma lagoa de estabilização desativada.

Isso mostra a gravidade do problema da destinação do lixo doméstico. O que fazer com esses resíduos é um questionamento ainda sem uma resposta adequada, que preocupa as autoridades e a população.
Em alguns locais iniciativas praticamente isoladas vem apresentado soluções que ainda carecem de auxílio do Estado. Exemplo disso é a fábrica de vassouras de garrafas Pet que funciona no bairro da Sobral.

Fundada há 2 anos por Francisco Nilo Viana, a pequena indústria retira das ruas de Rio Branco cerca de 60 mil garrafas Pet por mês. A partir de sucata industrial, Nilo Viana idealizou as 4 máquinas com as quais faz vassouras e cordas de varal.
A produção que caiu no gosto popular ganhou o incentivo dos empresários do setor varejista. Atualmente as vassouras ecológicamente corretas estão disponíveis nos supermercados da capital e em mercearias de Capixaba, Brasiléia e Epitaciolândia, e a fábrica de fundo de quintal já conta com 5 empregados com carteira assinada e mantém outros 15 empregos indiretos. Nessa última categoria estão os catadores que recebem por produção aproximadamente R$ 500 por mês.

“Eu completei 18 anos em 2010 e vim trabalhar aqui. Tenho carteira assinada e todos os direitos garantidos, um outro rapaz que trabalha com a gente está de férias”, garante Lucivaldo da Costa.

São necessários 600 metros de fio, o equivalente a 10 garrafas Pet, para fazer uma vassoura, que é vendida ao preço de R$ 4, com a promessa de durar seis meses.

Mas nem tudo são flores. A fábrica está instalada de maneira ainda precária no quintal da casa  do proprietário. No dias de chuva, o chão de terra batida se transforma em lama e a ausência de paredes, associado ao telhado que necessita de reparos impedem a permanência dos trabalhadores no local, o que reduz a produção em 50%. Nilo também não conseguiu regularizar o terreno para poder obter financiamento para melhorar o espaço e ampliar a produção, o que inclui a contratação de mais empregados.

As dificuldades levaram-no a procurar o apoio da deputada federal Perpétua Almeida, que atendeu o convite ontem à tarde.
“Vou marcar imediatamente uma conversa com o pessoal responsável pela regularização fundiária para resolvermos o problema do terreno.
O poder público precisa entender que tem que apoiar esse tipo de iniciativa. Ele está gerando emprego e renda com um empreendimento ecológicamente correto, usando material não degradável para transformar a vida das pessoas. Vou estudar junto com a prefeitura e com o governo do estado a possibilidade de destinar uma emenda para apoiar empreendimentos alternativos como este.
O poder público pode assinar convênio para que pessoas como Nilo Viana multipliquem esse conhecimento, como na escolinha da APAE por exemplo”, exultou a deputada Perpétua Almeida que pretende ainda levar o superintendente do Banco da Amazônia para conhecer o projeto.

“A partir da regularização e de um financiamento para a produção o próprio poder público pode se transformar em cliente e estimular escolas e instituições a comprarem a produção. Eu boto muita fé nessa questão do empreendedorismo individual”, complementou a parlamentar comunista.

Nilo Viana que usa um adesivo na caminhonete que utiliza para o transporte do material  alertando para a necessidade de cuidar da natureza fez questão que a deputada experimentasse as vassouras para poder comprovar a eficácia do produto.

“Chamei a deputada Perpétua para conhecer a fábrica porque sabia que ela visse ajudaria, mas ela estava em uma reunião de campanha e respondeu que não queria misturar as coisas. Mas mandou me avisar que viria numa outra ocasião, como deputada. Eu achei que nem ia acontecer, mas ela veio mesmo e  eu pude contar para ela que o meu  sonho é um dia passar na rua e ver os garis e margaridas limpando a cidade com as minhas vassouras”, confessa Viana. 

Entenda o Pet
Politereftalato de etileno (PET), é um polímero termoplástico, derivado do petróleo  desenvolvido em 1941.
As garrafas Pet, começaram a ser fabricadas na década de 1970.
O Pet prejudica a decomposição inclusive de outros materiais porque impermeabiliza certas camadas de lixo, impedindo a circulação de gases e líquidos.
É muito difícil sua degradação em aterros sanitários
Vantagens da ReciclagemRedução do volume de lixo nos aterros sanitários e melhoria nos processos de decomposição de matérias orgânicas nos mesmos;

Economia de petróleo;

Economia de energia na produção de novo plástico;

Geração de renda e empregos;
Redução dos preços para produtos que têm como base materiais reciclados.
Jornal A Gazeta
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