Leia a entrevista de Marina Silva ao Jornal Nacional



Marina Silva foi entrevistada nesta terça-feira (10) por William Bonner e Fátima Bernardes no “Jornal Nacional” por 12 minutos. Leia abaixo as intervenções da candidata do PV à Presidência.



RAZÃO DA CANDIDATURA



Quero chamar atenção da sociedade brasileira para a relevância das coisas que a gente está vivendo hoje. Eu sempre penso da seguinte forma. Até 2014 qual será a temperatura da Terra? Até 2014 quantas crianças ainda continuarão sem ter a chance de chegar sequer até a 8ª série? Até 2014 quantas pessoas serão soterradas pelas enchentes por falta de cuidado? Até 2014 quantos produtos não perderemos em função da falta de infraestrutura? Quantas oportunidades nós não perderemos em função da falta de educação de qualidade?

A minha candidatura é para agora, porque o Brasil não pode esperar. Todas essas questões que eu coloquei agora são uma emergência para o cidadão que fica na fila horas e horas para fazer um exame, uma emergência para a mãe que quer dias melhores para o seu filho, porque já não agüenta mais a vida dura que tem. E uma emergência para o Brasil que tem imensas oportunidades de se desenvolver com justiça social, de melhorar a vida das pessoas.

 
FALTA DE ALIANÇAS E FUTURA BASE DE SUSTENTAÇÃO

 
Fico olhando para a ministra Dilma e para o governador Serra, eles já estão tão comprometidos com as alianças que fizeram que só podem repetir mais do mesmo. Do mesmo quando foi o governo do presidente Fernando Henrique, que ficou refém do fisiologismo dos democratas. E o presidente Lula, mesmo com toda a popularidade, acabou ficando refém do fisiologismo do PMDB.

Quero governar com os melhores. E já estou dizendo que é fundamental o diálogo entre o PT e o PSDB. Estou dizendo que eu quero governar com a ajuda deles. Então eu vou compor uma base de sustentação, já respaldada pela sociedade, com essa idéia de que nós temos que acabar com a situação pela situação e a oposição pela oposição, trabalhando a favor do Brasil. É assim que eu quero trabalhar. É isso que estou dizendo, e pode ter certeza, quem pode estabelecer o ponto de união entre essas forças que não conversam e que nos seus oito anos de situação e oposição se confrontaram, se chama Marina Silva. Existe muita gente boa em todos os partidos.



QUADROS PARA GOVERNAR O BRASIL


O PV tem alguns quadros, mas quem foi que disse que para governar você tem que governar apenas com os quadros do seu partido? O presidente Lula tentou governar inclusive com quadros do PSDB. O PSDB trouxe quadros da sociedade, da academia. E é por isso que, quando eu estava no Ministério do Meio Ambiente, eu peguei as melhores pessoas, que estavam na academia, que já estavam na gestão pública, que estavam dentro de ONGs, sim, mas as pessoas mais competentes. E quando eu precisei, toda vez que precisei de aprovar leis no Congresso, a Lei de Gestão de Florestas Públicas, por exemplo, fundamental para desenvolvimento sustentável da Amazônia, eu consegui aprovar os meus projetos com o apoio de todos os partidos. Conversando com todos os partidos. É isso que o Brasil precisa, o Brasil precisa de um olhar que coloque, em primeiro lugar, as necessidades dos brasileiros, da saúde, da educação, da segurança pública, da infraestrutura, o nosso país não pode mais esperar e perder tempo com essa briga que não nos leva a lugar nenhum.


POR QUE FICOU NO GOVERNO APÓS O MENSALÃO


Lamentavelmente todas as vezes que eu me pronunciava, eu não tinha ninguém para me dar audiência e potencializar minha voz. Dentro, fora do governo, publicamente, nas palestras que eu dava, sempre dizia que aquilo era condenável, que deveria ser investigado e que deveriam ser punidos todos os que praticaram irregularidades. E o que eu dizia sempre, é o seguinte. É que nem todos praticaram o erro. E eu não pratiquei. Conheço milhares de pessoas que não praticaram o mesmo erro. Dentro do PT tinha muita gente que combatia junto comigo. Agora, para combater contra a falta de prioridade para as questões ambientais, aí eu era uma minoria. E foi por isso que eu saí. Eu saí porque não encontrava o apoio necessário para as políticas de meio ambiente que façam esse encontro entre desenvolver e proteger as riquezas naturais.

Meu desconforto foi forte, mas eu sabia que eu estava combatendo por dentro. E que conseguiria ser vitoriosa. Primeiro porque eu não tinha praticado nenhuma irregularidade. Agora, para continuar lutando pelas idéias que eu defendia, eu achava que não tinha mais tempo. Porque é possível juntar as duas coisas. Existe uma idéia dentro do governo, dos demais partidos na sociedade de que meio ambiente e desenvolvimento são incompatíveis. Eu conheço muitas empresas que já estão fazendo a defesa do meio ambiente uma grande oportunidade para gerar empregos, para gerar melhoria de vida das pessoas, e posso te dizer uma coisa. Todas as vezes que as pessoas me dizem, mas Marina, as pessoas não entendem isso que você está falando. Digo, elas entendem sim.

Eu permaneci no partido e fiquei igualmente indignada. Fiz o combate a minha vida inteira contra a corrupção. E acho que a corrupção é o pior câncer da sociedade. Ninguém pode se vangloriar de ser honesto. Para mim ser honesto é uma condição do indivíduo. Qualquer pessoa, onde quer que ela esteja, ela tem que ser uma pessoa honesta, seja como político, como professor, como dona de casa, como empregada doméstica, a pessoa tem que ser honesta. Agora, naquele momento que saíram pessoas do Partido dos Trabalhadores, eu permaneci para dar contribuição que achava que eu ainda poderia dar dentro do governo. Mas não por seu conivente. Agora, tem uma coisa que a gente precisa entender. Combater a corrupção é uma luta constante. Como a gente combate a corrupção? Com transparência, permitindo que as instituições funcionem, o Ministério Público, o Tribunal de Contas, criando ferramentas de controle dentro do próprio governo. Não permitindo que as coisas vão primeiro se consolidando antes de você fazer o combate necessário. Você tem que identificar durante o processo e fechar a torneira da corrupção quando ela está acontecendo.


CRÍTICAS SOBRE DEMORA NAS LICENÇAS AMBIENTAIS


Tive de criar várias diretorias e coordenadorias. Só que, quando nós começamos a arrumar a casa, aumentou significativamente as licenças. No governo anterior uma média 145 licenças por ano. Na minha gestão foram 265 licenças por ano. Agora uma coisa posso te dizer. É possível aperfeiçoar o licenciamento? É possível aperfeiçoar. E com esse aperfeiçoamento você vai viabilizar, com mais agilidade, sem perda de qualidade, a infraestrutura, que hoje de fato está colapsando. Nós temos problemas com aeroportos, nós temos problemas em relação a estradas, nós temos problemas em relação a energia. Tudo isso pode ser oferecido para a sociedade compatibilizando algumas coisas. Meio ambiente, melhoria da vida das pessoas e desenvolvimento que o Brasil precisa.

Nós vamos trabalhar com sentido de urgência que esse país tem para sua infraestrutura, tanto em aeroporto como na questão da energia, das estradas, tudo que o Brasil precisa para se desenvolver. Vamos fazer isso, sem negligenciar os cuidados com o meio ambiente. Mas tendo a clareza que o desenvolvimento desse país melhora a vida das pessoas. Sabe como melhora? Quando aquela família, que muitas vezes não tem como conseguir um emprego, começa a conseguir emprego. Quando aquela mãe, que não teve uma chance na vida, mulher pobre, ela sabe que se tiver uma escola melhor, o seu filho pode ter dias melhores. Eu sei que significa ter educação, porque foi com educação que eu consegui entrar pela porta da frente do Brasil.

 
POR QUE MERECE O VOTO DO ELEITOR


Primeiro eu quero agradecer por estar aqui, porque eu sei que esse país é um país maravilhoso. Só num país como o Brasil, com a democracia, é possível uma pessoa que nasceu lá na floresta amazônica, que foi analfabeta até os 16 anos, que teve que passar por várias dificuldades da saúde, pode chegar aqui na condição de se colocar como a primeira mulher, de origem humilde, a ser presidente da República. Esse Brasil já, conseguiu restaurar sua democracia. Teve um sociólogo que fez as transformações econômicas, um operário que fez as transformações sociais e eu para fazer as grandes transformações na educação.


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