Leia na íntegra o discurso do Governador Binho Marques no Fórum Empresarial Brasil-Peru

Governador Binho Marques fez a abertura do encontro que começou hoje de manhã no Teatro Plácido de Castro.

Senhor presidente Alan Garcia, autoridades, cidadãos e empresários peruanos; autoridades brasileiras e acreanas, empresários; senhores e senhoras.

Em nome do povo acreano, quero dar boas vindas ao presidente Alan Garcia e agradecer sua presença, aqui em Rio Branco, neste momento tão importante para todos nós, brasileiros e peruanos, como também para outros povos vizinhos e irmãos.

Sinta-se em casa, senhor presidente.

A solidariedade latino-americana faz da nossa fronteira um campo de sentimentos compartilhados entre brasileiros e peruanos.

Então que seja o Acre o próprio laço de amizade entre o Brasil e o Peru.

Homenageamos o senhor presidente Alan Garcia por seu trabalho pelo fortalecimento das relações bilaterais entre o Peru e o Brasil.

Já no seu primeiro mandato na presidência do Peru, Alan Garcia esteve em Rio Branco, há 23 anos, reunindo-se aqui com o então presidente do Brasil, José Sarney.

Isso ilustra o seu respeito pelo nosso Estado e quero agradecer a sua vontade de realizar, aqui no Acre, a expressiva agenda de hoje.
Este gesto valoriza a essência de um trabalho que o Estado do Acre realiza há mais de dez anos, com intensa mobilização da nossa sociedade.

Este trabalho tem o desafio de tornar o Acre reconhecido e incentivado pelo Brasil como pólo estratégico para a integração regional na Amazônia Ocidental, a partir do fortalecimento do nosso intercâmbio com o Peru.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, conhece bem o nosso estado. Aliás, o presidente Lula é um grande amigo do povo acreano. Ele sabe da importância da integração das nossas fronteiras e tem apoiado esse trabalho com determinação.
O nosso Governo desenvolve um grande esforço pela integração regional. O Acre tem se preparado para criar meios e possibilidades de conquistas econômicas, sociais e culturais para todos os envolvidos neste processo.

Em 1999, iniciamos um Projeto de Desenvolvimento Sustentável que caminha sob a articulação do Governo do Estado, mas ganha força porque é trabalhado com todos e para todos, conciliando interesses, esforços e a iniciativa do setor produtivo, do movimento social, de instituições não-governamentais e do poder público.

O esforço que empreendemos nos últimos dez anos para consolidar no Acre uma economia limpa, justa e competitiva já começa a apresentar resultados, como a industrialização de produtos florestais não-madeireiros e o manejo florestal sustentável, empresarial e comunitário.

Em apenas dez anos, dobramos o nosso Produto Interno Bruto.

O fortalecimento da economia vem acompanhada pelo compromisso social de incluir as comunidades e famílias mais pobres ao processo produtivo e de melhorar a qualidade de vida nas nossas cidades, no campo e na floresta.

Vários indicadores também atestam bons resultados na área social, mas um indicativo precioso é fato de que o Acre era último colocado no ranking do Ministério da Educação entre os 27 estados brasileiros. Hoje estamos entre os 10 melhores estados em oferta e qualidade de educação pública.

Com amplo diálogo entre todos os setores da sociedade, criamos alternativas capazes de ampliar oportunidades e possibilidades nos mais diversos campos de atividade econômica e de valorizar o compromisso sócio-ambiental.

Temos vigorando um Zoneamento Ecológico-Econômico que não foi imposto a ninguém, mas construído e implantado como um pacto social.

Os investimentos em obras de infra-estrutura social e econômica tem sido dos mais expressivos do país. A projeção para o período de 2007 a 2010 é de aproximadamente dois mil e quinhentos dólares per capita.

Além de base para as atividades econômicas, as obras públicas também referenciam investimentos privados na construção civil, e o resultado é a transformação da nossa paisagem urbana.
Estamos tornando Rio Branco uma cidade moderna, com espaços para a cultura, para o conhecimento e acesso livre à internet para toda a população ainda esse ano, serviço que até 2010 será disponível em todo o Estado.

Uma cidade preparada para ser base da integração na fronteira Brasil/Peru, aberta a todos os peruanos e brasileiros.

Desde já, devemos aproximar mais nossas comunidades vizinhas a partir de Assis Brasil/Iñapari, Santa Rosa/Puerto Esperanza e Cruzeiro do Sul/Pucalpa.
Além das oportunidades reconhecidas, os senhores, empresários brasileiros e peruanos ganham ainda a possibilidade da inovação, participando da economia florestal que estamos desenvolvendo. E se para alguns ela ainda parece incipiente, é bom lembrar do interesse especial dos mais ricos mercados do mundo pelos produtos desenvolvidos na Amazônia com responsabilidade sócio-ambiental.

Hoje mesmo, a caminho daqui, o presidente Lula esteve em Manaus lançando um programa de compra de produtos sustentáveis pelo governo brasileiro. É uma importante iniciativa que pode ser adotada por outros governos, inclusive prefeituras e governos estaduais.
Nossas expectativas também se animam com a realidade da Rodovia Interoceânica.

Tanto é assim que priorizamos a construção da BR 317, a nossa Estrada do Pacífico. E já em 2003 concretizamos a ligação da fronteira, inaugurando a Ponte Brasil/Peru.

A BR 317, que forma o trecho brasileiro da Rodovia Interoceânica, está totalmente concluída em nosso Estado.

Isso possibilita, a partir do porto fluvial de Boca do Acre, no estado do Amazonas, e da hidrovia do rio Madeira, a partir de Porto Velho, Rondônia - a ligação multimodal com os portos de Manaus, de Belém e do Caribe Venezuelano.

Sobre outra rodovia federal no Acre, a BR 364, ainda hoje estarei com o presidente Lula, em Cruzeiro do Sul, fronteira com Pucalpa, anunciando investimentos de mais 950 milhões de reais nesta estrada, até 2010.

A BR 364 cria para a Rodovia Interoceânica uma variável de acesso para o oeste do nosso Estado, chegando a Cruzeiro do Sul, a pouco mais de 100 quilômetros de Pucalpa - o que deixa a possibilidade futura, mas concreta de uma nova interligação com o eixo rodoviário central do Peru.

Como parte deste projeto, junto com o presidente Lula, também vamos inaugurar hoje o novo Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul, possibilitando ali a imediata implantação de operações de transporte multimodal, criando novas e muitas possibilidades de negócios.
O estágio das nossas relações e a infra-estrutura implantada, já nos permite criar meios de um intercâmbio mais regular nesta nossa região de fronteiras, como uma linha de ônibus entre Rio Branco e Porto Maldonado, e vôos regionais regulares entre Rio Branco e Porto Maldonado, Cruzeiro do Sul e Pucalpa.

Uma necessidade urgente é a superação de entraves burocráticos dos dois lados da fronteira, com melhoria da quantidade e da qualidade de serviços e recursos humanos em postos fronteiriços de controle.

Esperamos que o encontro dos presidentes Garcia e Lula seja definitivo para tanto. Inclusive, deliberando a importância e o interesse comum pela iniciativa do Governo do Acre para implantação do Porto Seco de Rio Branco, com investimentos superiores a 2 milhões dólares.

Trata-se de uma solução de logística inteligente que, além de atender as necessidades regionais e fronteiriças, constitui uma alternativa imediata aos congestionados postos alfandegários do sul e sudeste do Brasil.

Estamos trabalhando intensamente para que o Porto Seco de Rio Branco entre em operação até o final do próximo ano.

O Peru dá um exemplo ao mundo com a responsabilidade e competência com que vence o desafio de construir uma rodovia que multiplica o desafio de cruzar a Cordilheira dos Andes pelas dificuldades impostas pelo clima da Amazônia.

Nós, acreanos, conhecemos muito bem o desafio de construir estradas na Amazônia. Por isso, reconhecemos que nada pode atestar mais o compromisso com a integração latino-americana, que a disposição do Peru para construir sua etapa da Rodovia Interoceânica.

Hoje o sonho da nossa integração se torna mais real. Os presidentes Garcia e Lula firmam compromissos bilaterais que correspondem as nossas expectativas.

Além de decisões sobre assuntos mais conhecidos, como a própria Rodovia Interoceânica, aguardamos com muito interesse iniciativas novas, a exemplo da cooperação para a produção de energia limpa no Peru, fundamental para o desenvolvimento sustentável regional fronteiriço.
A Integração Brasil/Peru nos leva a pensar nas possibilidades do mundo, mas também nos obriga pensar na inclusão dos milhares de irmãos peruanos e brasileiros que compartilham a vida nestas nossas fronteiras amazônicas.

É necessário oferecer novas oportunidades de negócios, comércio e prosperidade. E os poderes públicos, indutores deste processo, também devem contar com a responsabilidade sócio-ambiental das empresas e empresários para que o desenvolvimento alcance nossas fronteiras com mais saúde, educação, trabalho e qualidade de vida para o povo pobre que vive nestas nossas regiões tão ricas.

Pensamos em Brasília e Lima, mas também em Brasiléia e Arequipa; nos portos de Santos e Ilo, mas também em Santa Rosa e Puerto Esperanza; no Atlântico e no Pacífico, mas também no Acre e no Madre de Dios.

Pensamos em todos e queremos trabalhar com todos e para todos.

Cada um dos senhores aqui presentes, considerem-se parceiros do Estado do Acre.

A Integração Brasil/Peru é desejo dos nossos povos e será boa para todos os peruanos e brasileiros. Mas nossa fronteira é o ponto de comunhão das nossas esperanças, por isso aqui se impõe a integração regional e nós precisamos estar cada vez mais próximos.

Infelizmente ainda existe muita desinformação no nosso caminho. Portanto, contem com o Governo do Acre para trabalhar uma seqüência deste Fórum, inclusive com novos encontros empresariais tornando mais regular e efetivo o intercâmbio de informações e de iniciativas para a integração.

Os governos do Peru e do Brasil estão construindo soluções institucionais e fazendo investimentos para o fortalecimento deste intercâmbio entre os dois países.

Aqui na região fronteiriça, os governos provinciais do Peru estão empenhados e o Governo do Acre investe o necessário. A partir daqui, a iniciativa depende essencialmente dos senhores empresários e empreendedores.
Obrigado, presidente Alan Garcia. Obrigado ao presidente Lula.

Esse encontro nos trás a certeza de que a integração Peru e Brasil não permitirá que a Rodovia Interoceânica seja um corredor para levar nossas esperanças, mas o caminho de chegada daquilo que falta para a realização dos nossos sonhos.

Muito obrigado!



*Binho Marques, Governador do Estado do Acre
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