POESIA DE SEXTA 20

A PUTA

Quero conhecer a puta.

A puta da cidade.

A única.

A fornecedora.

Na rua de Baixo

Onde é proibido passar.

Onde o ar é vidro ardendo

E labaredas torram a língua

De quem disser: Eu quero

A puta

Quero a puta quero a puta.

Ela arreganha dentes largos

De longe.

Na mata do cabelo

Se abre toda, chupante

Boca de mina amanteigada

Quente.

A puta quente.

É preciso crescer esta noite inteira sem parar

De crescer e querer

A puta que não sabe

O gosto do desejo do menino

O gosto menino

Que nem o menino

Sabe, e quer saber, querendo a puta.


Carlos Drummond de Andrade
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